sexta-feira, 24 de julho de 2009

Advogados na TV

Passei boa parte da minha vida diante da TV. Sou cria dos seriados americanos, não nego. Costumo mesmo dizer que fui criada na ponte da Enterprise. Não me envergonho de assumir que as séries de TV tiveram ampla participação na formação da minha personalidade e do meu caráter.
Nos últimos tempos, por óbvio, tenho assistido a muitas séries que enfocam escritórios de advocacia. Algumas sérias, outras grandes comédias. Porém, em todas elas, há advogados que me encantam por sua eloqüência.
Costuma-se dizer que o Direito é a arte da palavra. Todos nos encantamos com os belos discursos proferidos pelos advogados do cinema. É quase um choque descobrir que no Brasil o discurso é quase que apenas escrito, quando nos EUA, o sistema anglo-saxão permite a esses profissionais o verdadeiro exercício da oratória, fazendo com que razão e emoção produzam belos discursos.
Talvez seja por isso que não se produz filmes sobre advogados no Brasil...
Pois é justamente esse belo uso do léxico que me encanta, e é por causa destes personagens que assisto a várias séries - às vezes, apenas para ouvir seus encerramentos!
Colocarei alguns aqui, uma humilde homenagem aos reis do verbo.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Procura...


Procuro uma coisa que não tem nome. Já a encontrei na água de algumas corredeiras, no topo e na encosta de certas montanhas, nas nuvens de alguns ares, no mato fechado que guarda alguns vales. Já a encontrei várias e várias vezes - só não encontrei seu nome. Volterei à água, ao ar, à terra, voltarei até descobrir.

Eu...

Viviane Fernandes
Sou essa pessoa apaixonada pela Vida, em sua forma mais simples e na mais complexa.
Porque o complexo é feito do simples, eu sou apaixonada pelo tudo, e também pelo nada.
Eu sou essa pessoa que vive a plenitude, e que sabe que a felicidade mora dentro de mim.
Sou essa pessoa que sabe que o mundo é o reflexo daquilo que sou, e por isso sou apaixonada pela Vida, em todos os seus aspectos, o simples e o complexo, o tudo e o nada.
Eu sou aquela pessoa que você encontra pelas ruas, sorrindo sem motivo aparente, um sorriso que você jamais vai entender o porquê.
Sou essa pessoa que crê na beleza, que acredita que o mais belo é o mais simples, porque simples e complexo andam de mãos dadas.
Sou essa pessoa que aceita a tristeza, porque sabe que não se pode ser feliz sempre; mas que também sabe que a tristeza tem fim.
Sou essa pessoa que cultiva o Sol, que ama o brilho e o calor, mas que também ama as noites, e que ama as chuvas e o frio; porque nada é eterno, e tudo tem que se modificar.
E, na verdade, sou essa pessoa especial, mas que não tem nada de especial, porque sou essa pessoa igual a todo mundo e, ao mesmo tempo, diferente de todo mundo, porque é assim que somos todos.

Precisa-se de um Amigo

Vinícius de Morais
Não precisa ser homem, basta ser humano,
Basta ter sentimento, basta ter coração.
Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.
Tem que gostar de poesia, da madrugada,
De pássaros, de sol, da lua, do canto dos ventos e das canções da brisa.
Deve ter Amor, um grande amor por alguém, ou então
Sentir falta de não ter este amor.
Deve amar o próximo e respeitar a dor
Que os passantes levam consigo.
Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão,
Nem imprescindível que seja de segunda mão
Pode já ter sido enganado,
Pois todos os amigos são enganados.
Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro,
Mas não deve ser vulgar.
Deve ter um Ideal e medo de perdê-lo,
E no caso de assim não ser,
Deve sentir o grande vazio que tudo isso deixa.
Tem que ter ressonância humana,
Seu principal objetivo deve ser o do amigo.
Deve sentir pena das pessoas tristes
E compreender o imenso vazio dos solitários.
Deve gostar de crianças
E lamentar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo,
Para gostar dos mesmos gostos,
Que se comova quando chamado de Amigo.
Que saiba conversar as coisas simples,
De orvalhos, de grandes chuvas
E das recordações de infância.
Precisa-se de um amigos,
Para não enlouquecer, para contar
O que viu de belo e triste durante o dia,
Dos anseios e das realizações,
Dos sonhos e da realidade.
Deve gostar de ruas desertas, de poças de água
E de caminhos molhados, da beira da estrada,
Do mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo,
Que diga que vale a pena viver
Não porque a vida é bela,
Mas por que já se tem um Amigo.
Precisa-se de um amigo,
Para se parar de chorar.
Para não se viver debruçado no passado
Em busca de memórias perdidas.
Que bata nos ombros sorrindo e chorando,
Mas que nos chame de amigo,
Para se ter a consciência de que ainda se vive.

Manual das mulheres bem resolvidas

Essa eu tirei de uma comunidade do orkut, achei o máximo!
Manual das mulheres bem resolvidas

-1º-
Se ele se interessou, ele liga!!!!
É isso mesmo, quando o cara quer, não tem projeto importante, morte da tia ou trânsito maluco que o impeça de te convidar pra sair.

-2º-
Passou uma semana sem ouvir notícias dele?
Esquece, parte para outra!
Ligar para saber se tá tudo bem, nem pensar!
Homem que tá perdido merece ser encontrado morto no apartamento, e pelo zelador do prédio, porque os vizinhos não agüentam mais o fedor de carniça...

-3º-
Vocês saíram e ele não ligou mais.
Foi porque você cedeu? Ou foi porque você não cedeu?
Na verdade, pouco importa.
Se o que ele estava a fim era de sexo, e rolou, ótimo! Sexo é que nem pizza: bom-até-quando-é-ruim...
Mas se você não cedeu, ele provavelmente não te procurou mais porque achou que ia dar muito trabalho.
Ou seja, pare de se atormentar porque transou ou não!!!
Duas lições:
Dar uma de difícil depois de uma certa idade já era!!!
Ridículo é fazer tipinho!!!
E além do mais você vai se arrepender de ter cedido e de não ter cedido...

-4º
-
Homens Comprometidos - diga não!!!
A relação dele tá em crise, péssima, só falta oficializar o fim??? Ótimo!
Se ele quiser continuar infeliz, dane-se!
Senão, ele termina de uma vez e depois te procura, combinado?

-5º-
Ouviu aquela clássica: "você é boa demais pra mim"...
Acredite, amiga! É mesmo!!!
Descarte o cidadão e pare de bancar a Madre Tereza de Calcutá!

-6º-
Não tente...
Não dá pra namorar um cara pelo qual você não tem um mínimo de admiração.

-7º-
Traição...
Não continue com um cara que te chifrou se você não agüentar a onda de ser traída de novo.
E olho vivo se ele já foi infiel com outras.
A gente sempre acha que com a gente vai ser diferente...
Esqueça!!! Nunca é!!!

E atenção! A "Fila Anda"!!!
Pior do que nunca achar o homem certo, é viver pra sempre com o homem errado.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Férias...

Viviane Fernandes
Tire de um viciado a sua droga e ele ficará completamente perdido...
Pois é exatamente assim que eu me sinto nas férias - perdida!
Todo semestre eu faço planos de estudar, rever a matéria já lecionada, adiantar a leitura para o próximo semestre... Mas a verdade é que gasto metade das minhas férias com qualquer outra coisa. Acho mesmo que o cérebro fica num estado de geléia, e precisa de um descanso para retornar à forma.
E, por descanso, entenda coisas absolutamente idiotas. E foi assim que hoje acabei em um site esotérico, zapeando por horóscopos alternativos. Não que eu acredite nisso. Na verdade, não acredito nem deixo de acreditar, essa coisa não norteia a minha vida. Porém, de vez em quando eu gosto de brincar, até para tentar entender o que algumas pessoas vêem de tão especial nisso.
E foi justamente em um destes sites que vi a informação de que a flor referente ao signo de Touro é a papoula. Em outro, em um certo horóscopo das flores, descobri que o meu signo é representado pela flor do hibiscus.
Particularmente, fiquei chateada, porque acho essas flores muito sem graça. Não que eu seja amante das rosas... Pessoalmente, penso que são muito extravagantes, com todo aquele arranjo das pétalas; são lindas, sim, mas pedantes.
Eu sou apaixonada pelas bromélias. São rústicas, selvagens, espinhosas, inóspitas. Além disso, minha fruta preferida no mundo é uma bromélia.
No entanto, em termos de flores, admiro a beleza, o erotismo e a complexidade das orquídeas.
Mas, voltando às papoulas e aos hibiscus, a curiosidade fez com que eu procurasse coisas sobre eles.
Uma singularidade acerca das papoulas é que ela é associada a algumas divindades gregas, tais como Hipnos, deus do sono; Nix, deusa das trevas. Além disso, é a partir da flor da papoula que se produz o ópio e a morfina.
Já com relação ao hibisco, aparentemente o chá produzido a partir dos cálices de suas flores tem propriedades dietéticas, promovendo a redução de gordura, regularizando o funcionamento do intestino e combatendo a retenção de líquidos.
Nada disso me convenceu. Continuo apaixonada pela rusticidade das bromélias e pela complexidade das orquídeas. Afinal, o amor verdadeiro não se corrompe, não é mesmo?

terça-feira, 14 de julho de 2009

Happy is easy...

Elaine: I've never spent an un-lonely day in my life.
John: But you always seem so happy.
Elaine: Well, happy is easy. You act happy; people see you as happy and you see yourself through their eyes: you feel happy. It doesn't work for lonely... but happy is easy.

domingo, 12 de abril de 2009

Maus tratos a animais também são crime ambiental

Por Daphnis Citti de Lauro


O problema de animais em apartamentos sempre foi bastante debatido, seja quanto à proibição de mantê-los nas unidades, ao barulho que produzem ou ao perigo que alguns oferecem aos moradores.
Há outro aspecto a ser abordado, entretanto, pouco discutido, principalmente com relação a cães, que deve ser levantado: trata-se dos maus tratos dispensados a eles.
As pessoas se encantam e compram filhotes de cães, levando-os para os condomínios, sem considerar antes a raça, o quanto vão crescer e a necessidade de correrem, de gastarem as energias.
Não são poucos os moradores de condomínios que viajam nos finais de semana ou trabalham o dia inteiro, deixando de levar em consideração que os cães são animais próprios para a vida em comunidade, totalmente dependentes do homem. Não se acostumam a ficar sozinhos dias ou finais de semana inteiros, na maioria das vezes.
Por essa razão, são freqüentes as reclamações de vizinhos sobre latidos e uivos durante todo o dia, ou aos sábados e domingos, porque os animais são deixados sem qualquer companhia e, muitas vezes, sem água nem comida.
Há casos piores, de donos de cachorros que depois do encantamento inicial, maltratam os animais ou livram-se deles, soltando-os nas ruas, longe de casa.
Os síndicos — como representantes legais do condomínio — ao receberem queixas de latidos e uivos de cães, devem procurar saber se estão sendo mantidos sós, trancafiados nas unidades, e se é por isso que fazem tanto barulho.
Nessa hipótese, têm eles o dever de comunicar as autoridades policiais, tanto para proteger os animais, como para coibir o barulho que eles fazem ao serem largados sozinhos, com fome ou com sede.
É importante saber que para isso existe a denominada "Lei de Crimes Ambientais", a Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Os maus tratos aos animais domésticos, também são considerados crime ambiental.
Essa lei, em seu artigo 32, prevê detenção de três meses a um ano, e multa, para quem "praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos".
Daphnis Citti de Lauro é advogado; sócio da Advocacia Daphnis Citti de Lauro e da Citti Assessoria Imobiliária; e autor do livro *Condomínio: conheça seus problemas*.

domingo, 5 de abril de 2009

Quote XXXVI

"Eu enfrentei um processo de autodestruição durante mais de dez anos. Minha mulher me deixou, a carreira acabou, não tinha um tostão. Mas os cachorros estavam ao meu lado quando ninguém mais estava".
Mickey Rourke

domingo, 18 de janeiro de 2009

Sobre os meus cães

Viviane Fernandes
Desde que me lembro, eu amo os cães... Desde então, tive e tenho a felicidade de ter tido alguns cães em minha vida.
A primeira delas foi a Diana. Uma mestiça de pêlo curto, black & tan, que entrou na minha vida meio que por acaso. Uma verdadeira lady! Silenciosa, educada, limpa... Aprendi muito com ela. Aprendi, principalmente, que o pior que se pode fazer com um cão é privá-lo da convivência com seus iguais, longe de uma matilha canina. Não sei se a Diana foi feliz... Sei que a amei - ainda a amo - e jamais esqueço tudo aquilo que aprendi com ela.
Logo que a Di foi pra Lua, em setembro de 1993, o Leão veio integrar a nossa família. Ficou sozinho conosco por cerca de 1 mês, e aí chegou também o Cronus.
O Leão era um belo e dourado cão de pêlos longos que não tinha dono, perambulava pelo trabalho de meu pai, que o adotou em meio à dor de saudade da Di. Não sabíamos sua história, não sabíamos sua idade, sabíamos apenas que tinha algumas tendências agressivas; mas o adotamos mesmo assim. Foi um excelente Amigo, um defensor irascível e incansável de nossa família.
O Cronus chegou para nós com 45 dias de idade. Era um belo filhote de dobermann, cuja cabecinha ainda parecia uma maçãzinha, os coxins das patas ainda tinham aquela textura de borracha e o cheirinho de polvilho, típicos dos filhotes que ainda não começaram a explorar o mundo.
Leão e Cronus não podiam ser mais diferentes um do outro. E o início da convivência entre eles foi um tanto difícil. Leão tinha acabado de nos adotar como sua família e não estava inclinado a aceitar um pirralho novo na casa. Porém, passados poucos dias, ele percebeu que o moleque estava ali para ficar, e que seria bem menos desgastante para todos ficar amigo dele. E foi uma bela amizade, apesar dos agouros negativos de todos, que insistiam em prever que Cronus iria crescer e matar o Leão. Jamais estiveram tão errados! Não só foram amigos por toda suas vidas, como também Cronus sempre respeitou o Leão, dando-lhe inclusive prioridade de passagem, prioridade na vasilha de água, prioridade na vasilha de comida, demonstrando uma educação que não costumamos ver entre os humanos. Jamais brigaram, comiam juntos, andavam juntos, dormiam juntos... Leão e Cronus formaram então a sua matilha - a minha primeira matilha.
Em 2001, Leão já estava bem velho, e Cronus tinha 8 anos e, seguramente, pesava mais de 30kg. Em setembro daquele ano adotei a Sunny, uma pequena mestiça de poodle com qualquer coisa que, naquela época, devia pesar um 3kg, se tanto... Sunny veio de uma casa em que havia vários cães, de diferentes reças e tamanhos. Nasceu e cresceu cercada deles e, portanto, jamais se intimidou pelo fato de aquele cara ser bem maior e mais pesado que ela. Creio que foi amor à primeira vista - o Cronus simplesmente se apaixonou pela Sunny - aliás, como todos nós. Vivia atrás dela e era hilário ver aquela bolinha de pêlos sendo seguida de perto pelo nariz do imenso dobermann, de um lado para outro! Sunny passou então a integrar aquela matilha sem qualquer oposição.
Quanto ao Leão, ela tentava, de todas as formas, chamar sua atenção... Mas creio que ele estava velho demais para agüentar a energia daquela filhotinha, então não lhe dava muita bola, porém sem rejeitá-la ou excluí-la. De fato, ele nos deixou em agosto de 2002. Outro querido Amigo que foi pra Lua e nos deixou com a dor da saudade...
Em setembro de 2002, veio a Drica. Uma imensa filhote de schnauzer que chegou lá em casa com 83 dias e uns 5kg - uma monstrinha. Com pouco mais de 2 meses, a Drica pesava quase tanto quanto a Sunny! E aqui, reservo um comentário: quando Drica veio pra casa, tive receio da reação da Sunny, quer dizer, como ela iria reagir à presença da filhote. Mas a Sunny me surpreendeu, adotando imediatamente a Drica como parte da matilha, passou a tratá-la imediatamente como a uma filha ou a uma irmã. E assim formou-se a matilha Cronus-Sunny-Drica.
Em 2005 Cronus tinha 12 anos, Sunny tinha 4 anos, a Drica casou, e teve 7 bebês, dos quais acabei ficando com duas cadelinhas, Carina e Chewie. Pode parecer inconcebível para alguns, mas o Cronus simplesmente tolerou os filhotes com uma calma que jamais é atribuída aos dobermanns. Tenho fotos dele cercado pelos filhotes por todos os lados! Aliás, se há uma palavra que sempre definiu Cronus é caráter - um verdadeiro gentleman!
E então minha matilha passou a ser formada por Cronus-Sunny-Drica-Carina-Chewie. E aqui relato uma das circunstâncias que mais me emocionaram em todos esses anos de convivência com os cães, não apenas com os meus, um acontecimento que me prova o quanto os cães são capazes de raciocínio e empatia, apesar de todas as controvérsias acerca disso.
Desnecessário dizer o quanto o Cronus estava envelhecendo. Com o passar dos anos ele foi acometido de vários problemas de saúde, dentre os quais uma displasia de joelho que o debilitou progressivamente, evoluindo para uma artrose crônica, em conseqüência da qual, além das fortes dores, desenvolveu uma grande dificuldade de levantar e permanecer de pé. Se o piso por onde caminhava não fosse áspero, ele escorregava e não mais conseguia levantar-se. Além disso, com os anos, desenvolveu incontinência urinária, como a maioria dos idosos, caninos ou humanos.
Então, em uma certa noite, ele se levantou para ir ao quintal fazer xixi - um parêntesis: meus cães sempre dormiram dentro de casa e sempre foram (e são) muito limpos. Porém, por causa da incontinência urinária, o Cronus fez xixi no corredor, que é de piso frio. Escorregou, caiu, não conseguia se levantar, e ficou ali, patinando na urina.
Uma das conseqüências de meus cães permanecerem à noite dentro de casa é que eles dormem a noite toda. Exceto quando ocorre alguma anormalidade próximo a minha porta ou ao portão, meus cães dormem a noite toda, não latem e não nos acordam.
Naquela noite, fui acordada pela Sunny, que sutilmente lambeu o meu nariz. Bom, meio que não acordei, mandei-a dormir, e virei para o outro lado. Logo depois, veio a Chewie, que também me acordou lambendo o meu nariz. Fiz com ela o mesmo que com a Sunny. Após, veio a Carina, mesma coisa. Depois voltou a Sunny. A essa altura, eu já estava acordada e me conscientizei de que alguma coisa tinha que estar errada. Foi quando ouvi... Patas, unhas arranhando o chão. Levantei e vi o Cronus caído na poça de urina, e só então percebi o que elas estavam fazendo. Estavam me acordando para que eu socorresse o Cronus. Não apenas elas perceberam que ele estava em dificuldade como foram buscar ajuda daquele membro da matilha que julgaram ser o adequado para resolver o problema. Sim, porque me considero líder de minha matilha. Além disso, agiram em conjunto, como uma verdadeira matilha!
Cronus foi pra Lua em 3 de outubro de 2008, então com 15 anos completos. Estava velho, cansado, desgastado. Foi um Amigo ímpar, do qual ainda sinto muitas saudades. Lembrar dele ainda doi muito, e ainda me faz chorar copiosamente - como agora...
Sunny, Drica, Carina e Chewie ainda estão comigo. Não sei por quanto tempo, mas sei que enquanto estivermos juntas, não existirá amor como o que eu sinto por elas, minha pequena matilha. Meus cães são o meu tudo, eu não existo sem eles. Não consigo imaginar como alguém pode pensar neles como objetos, é-me difícil aceitar o ordenamento jurídico brasileiro, segundo o qual os cães não são sujeitos de direitos, porque, da forma como eu vejo, eles são capazes de sentimentos e atitudes mais nobres que as de muitos seres humanos.
Enfim, levando em conta que há pouco mais de 1 século alguns povos eram considerados inferiores e desprividos de humanidade, resta-me a esperança de que, um dia, o homem vai respeitar os demais seres vivos, assim como, nas palavras de Leonardo Da Vinci:
"Chegará o dia em que os homens conhecerão o íntimo dos animais, e, neste dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a humanidade".

domingo, 30 de novembro de 2008

Heavy Metal

Viviane Fernandes
Fui criada no Heavy Metal. Tive uma adolescência muito diferente das meninas que conhecia, que ouviam Menudo ou outras dessas porcarias.
O Heavy Metal é, geralmente, muito mal visto. Concordo que o lema sex, drugs and rock'n roll não tem um apelo muito agradável, mas no HM é tudo atitude. Uma imagem vale mais que mil palavras, e o povo adora aparecer.
Mas a imagem não condiz necessariamente com os fatos. O pessoal que curte rock'n roll é geralmente tímido e conservador. Muitos adolescentes são verdadeiros nerds e usam o preto para, sei lá... Tentar desaparecer, ou para aparentar algo que não são - algo que não éramos...
Pois é... Como a maioria das pessoas, eu deixei de ouvir rock'n roll na idade adulta. Passei por uma grande dieta de música nacional, música tradicional brasileira... Enfim, foi um duradouro regime de musiquinha calminha, mansinha; nhém nhém nhém...
Não me levem a mal, eu ainda curto bastante música regional e MPB, mas...
Bom, no 5º período da faculdade de Direito, eu precisei de foco. Não que eu não soubesse o que queria, pois achei no Direito o meu nicho, mas precisava de algo que me desse foco. E encontrei no HM.
Faculdade é uma guerra. E você não vence uma guerra se não estiver focado na vitória. E não há nada mais deprimente que musiquinha nacional. Quer dizer, toda essa temática de sexo-fácil, carnaval, dor-de-cotovelo, sexo-vazio, dor-de-corno, festinha, beber-até-cair; nada disso ajuda a nortear a vida. Se você vai para a batalha pensando em derrota, certamente irá perder a guerra. E no HM não há espaço para o discurso da derrota.
Metal makes us strong
É uma frase simples, mas que lhe compele a lutar e, mais que isso, a lutar pela vitória! A derrota não é uma opção.
Faculdade é um ambiente que não deixa espaço para auto-piedade. Ou você entra no combate para vencer, ou irá assistir à sua turma se formar sem você.
Isso ficou muito claro na semana passada, quando ouvi de vários colegas esse discurso - não vou conseguir. Ora, se tem tanta certeza de que não vai conseguir, então de que vale tentar? É mais econômico ficar em casa, sentado diante da TV, assistindo a Sessão da Tarde. Certamente é mais barato, porque uma formação em nível superior no Brasil sai muito, muito cara!
O fato é que o discurso do HM é a oração do guerreiro. Por várias vezes fecho os olhos e me sinto como o arqueiro, que aponta sua flexa em direção ao alvo, e meu alvo é a conclusão do curso. O que vem depois disso? Meu caminho eu mesma vou traçar, aproveitando as oportunidades que aparecerem. Mas não é possível queimar etapas. Os atalhos nem sempre nos são úteis.
Então, vivo meus dias como o guerreiro que espera pela batalha, com a espada em punho e, nem na morte haverá derrota, porque aquele que morre lutando terá seu espírito conduzido pelas Valkirias para o Valhalla, o paraíso dos guerreiros.
Desistir não é uma opção!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Manuel de Barros


Manuel de Barros
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras fatigadas de informar.
Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão, tipo água, pedra e sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal
É maior do que o mundo.

domingo, 26 de outubro de 2008

Pedra do Pontal

Viviane Fernandes
Quem me conhece sabe que não gosto de calor, não gosto de praia, não gosto de sol.
Porém...
Encontrei alguns amigos hoje. Amigos antigos, muito amados e muito queridos. Quando digo antigos, quero dizer que são amigos com quem compartilhei minha infância e adolescência. Amigos que foram, mais que tudo, irmãos. Amigos que, ainda hoje, apesar da distância, continuam sendo família.
Pois bem, nossas amizades surgiram e foram cristalizadas no Recreio dos Bandeirantes, à sombra da Pedra do Pontal. Ali havia um camping e, da forma como eu via, e como vejo, aquele lugar mais parecia uma vila, dessas em que famílias inteiras se reúnem. Éramos crianças e adolescentes de diversas idades, amigos cujos pais e mães eram, também, amigos. Crescemos, então, como família.
Nosso relacionamento foi coroado pelo Sol de Verão, pois era nessa estação do ano que mantínhamos mais contato. Passávamos os meses de verão em frente à praia. Ou melhor, passávamos o verão na praia. Éramos locais, vivíamos em grupo, cuidávamos dos menores, acordávamos no mesmo horário, almoçávamos no mesmo horário, íamos dormir no mesmo horário. Vivíamos na praia, nadávamos todos os dias, com chuva ou com sol; enfim, aproveitamos tudo o que pudemos.
Carpe diem.
Mas, crescemos. E a demanda da maturidade nos afastou. Não por que queríamos, mas por que precisávamos.
Hoje, meus amigos estão casados, têm filhos. Hoje, eles olham para seus filhos e gostariam que suas crianças tivessem o que tivemos. E, na impossibilidade de reproduzir todo aquele ambiente no qual fomos criados, surgiu a necessidade de retornar ao convívio.
Eu não gosto de calor. Eu não gosto de sol. Eu não gosto de praia. Entretanto, agradeço ao calor, ao Sol e à praia por uma infância maravilhosa, e agradeço ao Recreio por ter sido o cenário de amizades que, hoje sei, vou embalar pelo resto de minha vida.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

quarta-feira, 25 de junho de 2008

9mm: São Paulo

Viviane Fernandes
Estreou no dia 10 de junho de 2008 uma nova série da Fox - 9mm: São Paulo. É óbvio que uma série que fala sobre a polícia brasileira iria causar um certo frisson, então, conferi. A série é baseada em cinco personagens, todos policiais de uma delegacia de homicídios de São Paulo.
Horácio (Norival Rizzo) é investigador há 30 anos. Entrou para a força
policial em pleno regime militar e preserva hábitos autoritários. É silencioso, tem um humor ácido e por vezes age de forma bastante violenta. Sempre foi um solitário e estava acostumado a atuar sem a ajuda de ninguém, mas agora ele atravessa um momento de crise, uma vez que seus métodos de investigação da “velha guarda” não são aceitos por seus companheiros mais jovens, profissionais que tentam modernizar a instituição.
Eduardo (Luciano Quirino) é delegado de grande prestígio, considerado um jovem talento da nova polícia. Ele é um dos poucos delegados que possuem nível universitário e um mestrado em direitos humanos. Porém, apesar dos seus méritos pessoais e do cargo, muitas das conquistas de sua carreira estão relacionadas aos contatos de seu sogro, um renomado deputado. Este favoritismo entra em conflito permanente com a razão pela qual ele entrou para a instituição, que é transformar a polícia brasileira em uma instituição justa e transparente.
Luisa (Clarisse Kiste) é uma investigadora de 34 anos. Foi mãe solteira aos 15 anos, o que lhe trouxe um enorme senso de responsabilidade, mas também exigiu sacrifícios. Luisa é moralista, obsessiva, perfeccionista e se dedica ao trabalho como poucos. Porém, o fato de lidar diariamente com as injustiças do mundo a tornou uma mulher dura e exigente. Esta característica, que lhe permite atuar com eficiência em termos profissionais, constantemente gera conflitos com sua filha Dani, uma garota que ela não compreende e não sabe como lidar.
Tavares (Marcos Cesana) tem 38 anos e acaba de entrar para a polícia. Embora seja um homem da lei, conhece os praticantes de jogos ilegais, traficantes de drogas, ladrões de carros e tem um bom relacionamento com vários criminosos de seu bairro. Estes contatos lhe são indispensáveis, e não hesita em usá-los como informantes ou pontes de acesso para os criminosos, uma tática que em muitas ocasiões irá ajudá-lo a encontrar e pista certa para resolver alguns casos.
3P (Nicolas Trevijano) tem 30 anos e um bom caráter. Luta jiu-jitsu, é fanático por esportes extremos e entrou para a polícia atraído pela adrenalina da profissão. Por vezes impulsivo e descontrolado, 3P tem dificuldades para lidar com a violência que constantemente coloca sua vida em perigo.
Fica bem claro que a própria composição dos personagens é uma metáfora das personalidades que compõem a polícia brasileira. Mas fica bem óbvio, também, que as personagens, cada uma de sua maneira, busca a realização e a afirmação da Justiça, em seu sentido maior.
Até ontem (24/6/2008) eu não vinha entendendo muito bem a mensagem que a série buscava passar. Mas continuei assistindo. Na verdade, ainda não sei bem a mensagem, mas o episódio de ontem, intitulado “Eu Sou Mais Forte”, me deixou realmente chocada.
Nele, jovens de elite lutadores espancam dois jovens de periferia, um deles até a morte. O dinheiro e a influência de sus famílias intimidam a justiça e afastam testemunhas, perpetuando a impunidade. Sobre este pano de fundo, reflexo dessa espécie de apartheid brasileiro, estão tecidos os conflitos dramáticos.
Dani e 3P nos apresentam as ambigüidades de ser jovem neste mundo minado. Dani se envolve na balada com os espancadores: jovens, ricos, sarados, com um charme cínico e poderoso. Apesar de ser policial, 3P também se deixa seduzir por esse jeito de ser agressivo e poderoso – em última instância, de elite.
O subtema das mães protegendo seus filhos perpassa o episódio. O foco principal está em Luísa que, com medo de represálias, não quer que Dani, testemunha ocular do crime, deponha. A mãe de um jovem pobre, vítima e testemunha, também evitará que seu filho se apresente à polícia. E, no pólo oposto, a mãe do jovem de elite defenderá seu filho coagindo testemunhas e mobilizando suas influências.
Essa presença das mães dramatiza o conflito entre valores públicos e privados, que se expressa no episódio também em termos mais gerais – principalmente no confronto entre Eduardo e Horácio –, retomando e concentrando uma pergunta que está também em outros momentos da série: a justiça é mesmo para todos?
O episódio teve, na minha opinião, dois momentos emblemáticos.
Em um deles, Eduardo janta com a noiva e seu sogro, o Deputado, em um restaurante caro. Durante a conversa, o Deputado elogia uma declaração que Eduardo fez à imprensa, dizendo que este conseguiu manter-se afastado da opinião pública. Eduardo então responde que não tem “compromisso com a opinião pública, mas com a coisa pública, a res publica”, ao que é devidamente menosprezado pelo Deputado, que diz que esse latim de Eduardo para ele, é grego.
Na cena final do episódio, o policial 3P, inconformado com a impunidade de Felipe, que espancou um adolescente da periferia até a morte e cuja família coagiu testemunhas, vai até a academia para confrontá-lo fisicamente. Eles lutam, Felipe deixa 3P na lona e sai declarando que é mais forte.
A metáfora é clara: dinheiro e poder derrubam a Justiça; mais uma vez o que se vê é a supremacia da impunidade, em uma sociedade em que a lei e a ordem apenas funcionam para os negros e pobres.

sábado, 31 de maio de 2008

Direitos humanos e o antropocentrismo neo-romano


Viviane Fernandes

Direito humano é uma expressão que, em sua própria origem remonta ao antropocentrismo, ao declarar o homem centro de toda uma gama de direitos inerentes àquilo que se convenciona como dignidade, alijando destes direitos todas as demais espécies vivas.
Declarar direitos humanos significa o mesmo que firmar que deus fez o homem à sua imagem e semelhança, concedendo-lhe o direito objetivo de criar critérios que determinam a vida e a morte das espécies. Como conseqüência, verifica-se no mundo moderno que as políticas de desmatamento e destruição de áreas ambientais demonstram total descaso para com todas as formas de vida que habitam os diversos ecossistemas – inclusive, as humanas.
Cristaliza-se ainda o fato de que os direitos humanos, na prática, remetem aos princípios do direito romano, em que são sujeitos de direito apenas os caucasianos, homens e produtores de renda, uma vez que no mundo moderno, globalizado, o que se vê na prática são grupos étnicos, econômicos e cronológicos desprestigiados, completamente excluídos destes direitos.
Não que estes grupos estejam afastados das realidades dos grandes centros urbanos e dos olhares de toda a sociedade. Não apenas os índios são despojados de toda sua dignidade enquanto nação, mas ainda hoje negros e latinos são tratados com enorme preconceito. E o que se falar do desmerecimento que sofrem crianças, mulheres, idosos, deficientes físicos? A própria existência de uma delegacia para a infância e a juventude, uma delegacia do idoso e uma delegacia da mulher, bem como as respectivas leis específicas que visam tutelar os direitos destes grupos já prova o quanto são prejudicados pelo (in)consciente da coletividade.
Assim, o homem moderno reproduz o conceito ancestral da sociedade romana, ao pesar maior valor em favor dos homens, livres e produtores de renda. E, nesse contexto, os direitos humanos não ferem apenas à diversidade biológica do planeta, ofendendo também à multiplicidade humana, ao desconsiderar, na prática, as diferenças culturais, étnicas, cronológicas, econômicas, sexuais; enfim, toda a imensa diversidade viva que compõe o Planeta.
A Vida talvez não seja algo material que devamos tentar definir, mas uma complexidade que a torna tão maravilhosamente exuberante que devemos, a cada dia, nos deliciar com o espetáculo de formas, cores, idéias que desfilam diante de nós. E, para fazer Justiça à Ela, certamente deve-se desprezar a expressão direitos humanos, e substituí-la urgentemente pela locução Direitos dos Seres Vivos. Esta, certamente, mais justa.

domingo, 13 de abril de 2008

Ocaso infantil

Viviane Fernandes
O Brasil outra vez se comove com o fim de uma criança. O caso Isabella Nardoni é o mais recente assunto preferido da imprensa. Ano passado foi a triste história de João Hélio Vieites, vítima da violência urbana no Rio de Janeiro. Um caso que chocou a todos.
O recente caso de Isabella choca pelo mistério do enredo que o envolve. Afinal, quem agrediu a menina Isabella? Quem jogou a criança pela janela, do 6º andar do edifício onde vivem seu pai e sua madastra?
Motivo, meio e oportunidade?
É possível que a polícia consiga desvendar esse caso. Se a imprensa deixar... Por hora, a única coisa certa é que a mídia já encontrou os seus culpados. Ainda que exista a possibilidade de o assassino da menina Isabella estar em plena liberdade e, se for esperto, já foi embora de São Paulo, afastando-se dos holofotes colocados pela imprensa sobre o caso.
Infelizmente, não é apenas o fim trágico de suas vidas inocentes que aproxima João Hélio e Isabella. Infelizmente, estas duas crianças mantém ainda um outro elo, uma conexão que deveria nos envergonhar como sociedade: tanto João Hélio quanto Isabella pertenciam a uma classe social mais abastada, uma classe-média-alta.
Obviamente, nenhuma criança deveria sofrer qualquer tipo de violência. Evidentemente, não se pode tolerar qualquer tipo de coação em qualquer momento da vida social. Mas ela existe, lamentavelmente.
Lembro-me, ainda com bastante revolta, de um caso que li, há anos, em uma edição de O Povo. Um homem jogou a filha, um bebê recém-nascido, pela janela. Quando a mãe chegou a casa, encontrou o 'marido' sentado na sala, assistindo TV. Foi ao quarto e, não encontrando a criança no berço, voltou à sala e interpelou-o sobre o paradeiro do bebê. O homem nada disse, apontou a janela. Horrorizada, a mulher viu o corpo da filha no valão, do outro lado da rua. Correu, encontrou a criança ainda viva, levou-a a um hospital. O bebê não resitiu. Politraumatismo e infecção generalizada. Ela deu queixa e, horas após, a polícia bateu à porta da casa. Encontrou o homem na mesma posição, sentado diante da TV. Foi levado à delegacia, onde confessou o crime. O motivo: "o choro dela estava me irritando". Impassível, como se fosse a coisa mais natural do mundo jogar uma criança pela janela.
Aconteceu em uma favela do Rio de Janeiro. Apenas o jornal O Povo noticiou. Apenas a imprensa marronista.
Descaso - com a infância, com certeza. Mas, onde estavam todos os repórteres que hoje fazem plantão na porta da casa do avô de Isabella? Onde estavam aqueles repórteres que passaram dias, semanas, assediando a família Vieites? Descaso da imprensa, que escolhe o que reportar. Como e quando noticiar. Morte de pobre é para os periódicos de baixa categoria.
Crianças negras, pobres, carentes. Apesar do descaso, essas também são humanas. Negros e pobres também são seres humanos! Parece absurdo ter que escrever, repetidas vezes esse corolário, mas a sociedade tende a fechar os olhos para o drama daqueles a quem escolheu desamparar.
Vivemos em uma sociedade de desigualdades, dessemelhanças que propiciam a manifestação de conflitos sociais que, eventualmente, chegam às nossas casas por meio daquele aparelho retangular que tanto cultuamos. Porém, será que realmente questionamos o que nos é enviado, ou apenas vivemos como gado - povo marcado, povo feliz?
"Pensei que era um mendigo".
"Pensei que era uma prostituta".
"O choro dela estava me irritando".
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