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domingo, 26 de dezembro de 2010

Cinzel

Talvez com um cinzel eu consiga tirar você da minha mente...
Dia desses uma amiga disse que os homens se apaixonam pelo que vêem, e as mulheres, pelo que ouvem.
Deve ser verdade, e eu daria a alma para que você parasse de dizer as palavras certas...
Confiar, não confiar... Acreditar nas suas palavras, em você?!
Como eu gostaria, com um cinzel, tirar você do meu coração...
Deixei que isso fosse longe demais... Deixei que você impregnasse minha mente, meu coração, meus pensamentos...
Deixei que isso fosse longe de tal forma que não consigo mais deixar de pensar em você, como se você fosse real, como se estivéssemos habitando o mesmo espaço-tempo...
Gostaria de crer que você sairia do seu lado do espelho para me visitar aqui, do meu lado... Mas meu senso de realidade me impede de acreditar nessa possibiliade, e sigo meus dias pensando em você como se fosse real, como se estivesse ao alcance das minhas mãos, como se eu pudesse falar com você a qualquer momento...
Sigo meus dias desejando que você seja real...
V. Fernandes

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Amor...

Tem aquela música do Legião - "quem inventou o amor, me explica por favor".
Deve ser uma piada cósmica, mas essa música chama-se Antes das Seis... Mas apenas eu entendo o porque desta ironia...
Talvez o amor seja o Graal... Talvez o busquemos a vida inteira, pensando nele como uma rica taça de ouro cravejada com pedras preciosas. E, já que estamos falando de metáforas, por que não lembrar de Indiana Jones... Buscamos a taça dourada, mas o amor é aquela humilde caneca entalhada na madeira... Talvez uma tigela de barro...
Há muitos anos fechei meu coração. Em mais uma paráfrase de Legião Urbana,
Se a paixão fosse realmente um bálsamo
O mundo não pareceria tão equivocado
Te dou carinho, respeito e um afago
Mas entenda, eu não estou apaixonado
A paixão já passou em minha vida
Foi até bom mas ao final deu tudo errado
E agora carrego em mim
Uma dor triste, um coração cicatrizado
E olha que tentei o meu caminho
Mas tudo agora é coisa do passado
Quero respeito e sempre ter alguém
Que me entenda e sempre fique a meu lado
Mas não, não quero estar apaixonado

A paixão quer sangue e corações arruinados
E saudade é só mágoa por ter sido feito tanto estrago
E essa escravidão e essa dor não quero mais
Quando acreditei que tudo era um fato consumado
Veio a foice e jogou-te longe
Longe do meu lado
Não estou mais pronto para lágrimas
Podemos ficar juntos e vivermos o futuro, não o passado
Veja o nosso mundo
Eu também sei que dizem
Que não existe amor errado
Mas entenda, não quero estar apaixonado
Essa música é tão absurdamente parecida com o que eu sinto, mesmo em sua dicotomia, que não seria justo não reproduzi-la na íntegra.
Hoje... Estou apaixonada... Por alguém que não conheço, e que acho que foi embora. Sinto saudades, a dor um dia vai passar, ele vai fazer parte da minha estória... Ou talvez não. A única certeza é que vou sobreviver, eu sempre sobrevivo. E sempre pago o preço...
V. Fernandes

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Inquietude...

Ah, esse estado de inquietude que me acomete...
São tantas as coisas que passam pela minha mente, e tão poucas aquelas para as quais tenho alguma solução imediata... Ou para as quais sequer tenho alguma solução...
Me assalta esse estado de espírito cujo desejo pelo que é impossível se avoluma, e me consome, congelando minhas ações, e fazendo com que me acovarde diante do peso do destino.
Sem encontrar respostas, a mente viaja pelo passado, trazendo lembranças que não tranqüilizam, ao contrário, atormentam ainda mais meu âmago.
São ecos de um passado que, em meio ao presente desespero, acenam com a ilusão de que dias melhores se foram...
Ilusão...
Que maldição essa de carregar uma índole inquieta, sempre à procura daquilo que não é comum ou cotidiano, a buscar interminantemente no horizonte a satisfação dos desejos presentes, nesse tão (des)humano esforço pela felicidade...
V. Fernandes

domingo, 29 de novembro de 2009

Void

Hoje eu queria o silêncio
Queria o céu e as estrelas
Hoje eu queria o nada
Porque hoje estou cansada do caos
O
Hoje eu queria a maresia
Queria o cheiro do oceano
Queria deitar no convés de um veleiro
E ouvir a água batendo no casco
O
Ouvir apenas o ranger do cordame
O vento sobre as velas
Hoje eu queria a comunhão com a natureza
Hoje eu precisava do colo da Mãe
O
Porque hoje estou cansada da luta
Estou cansada da guerra
E hoje, tudo o que eu quero é o vazio
V.Fernandes