Marcelo Médici
Revista O Globo, 4 de novembro de 2007.
Quem assiste ao meu espetáculo solo “Cada um com seus pobrema” percebe que gosto de animais. Herdei de minha mãe a paixão pelos cães. E quando digo paixão é no sentido mais puro da palavra. Já fiz tudo o que um apaixonado por cães faz: peguei na rua e disse que ele tinha me seguido, socorri cachorro atropelado, arrumei um novo lar para outro sem-teto... Sou daqueles que se emocionam com a história do terrier que passou o resto de sua vida em cima do túmulo de seu dono, e que sofrem muito mais assistindo aos filmes da Lassie ou do Benji...
Revista O Globo, 4 de novembro de 2007.
Quem assiste ao meu espetáculo solo “Cada um com seus pobrema” percebe que gosto de animais. Herdei de minha mãe a paixão pelos cães. E quando digo paixão é no sentido mais puro da palavra. Já fiz tudo o que um apaixonado por cães faz: peguei na rua e disse que ele tinha me seguido, socorri cachorro atropelado, arrumei um novo lar para outro sem-teto... Sou daqueles que se emocionam com a história do terrier que passou o resto de sua vida em cima do túmulo de seu dono, e que sofrem muito mais assistindo aos filmes da Lassie ou do Benji...
Gostar de um animal (ou mesmo ser apaixonado por ele!) sempre me pareceu saudável e lógico. Desde que nasci já convivi com Peninha, Toco, Lili, Greta, Xanda. Lume, Malu... Impossível enumerar aqui os momentos de alegria, companheirismo, carinho e gratidão que essa galera me proporcionou. O Peninha era de uma raça que era moda nos anos 70: pequinês. Ele avisava minha mãe quando eu chorava no berço. A Lili foi uma vira-latinha que dormia nos pés da minha cama e brincava comigo na rua. Quando eu viajava, me esperava em cima do meu travesseiro... A Lume morreu 15 dias depois de minha mãe, e a Malu, três anos após, no dia em que minha mãe faria aniversário. Mistérios... Detalhe: a Malu morreu com 19 anos! Quando a Malu se foi, decidi que não teria outro cachorro. Nunca mais!
Três meses depois chegou a Preta. Uma pestinha linda de morrer. Ela chegou numa fase complicada, estava saindo do meu emprego, mudança de vida daquelas bem grandes. Mas o que era realmente um momento ruim foi absolutamente amenizado pela presença daquela pequena criatura. Ela foi a companhia ideal para um passeio pelo quarteirão de manhã, pelo parque à tarde, para um café à noite ou uma ida à banca de jornal de madrugada (desemprego tem suas vantagens...). Para ela tudo era muito divertido! É incrível que um ser com menos de três quilos possa emanar tanta vida. Acho que ela me trouxe sorte. A fase ruim passou e eu nem percebi. A Preta deu tanta bola dentro que acabou de ganhar um companheiro, o Juca. Um gorducho que sem dúvida nenhuma é mais apaixonado pela Preta do que por mim, algo que entendo completamente. É bom deixar claro que eles não são meus filhinhos, são meus cachorros. Mas quem me conhece sabe o que isso significa.
Às vezes os apaixonados por cães não são compreendidos e chegam até a ouvir desaforos. Certa feita, minha mãe, ao alimentar um cachorro na rua, ouviu de uma vizinha que existia muita criança passando fome. O curioso é que nunca soubemos que essa mesma vizinha fizesse algo que amenizasse a fome das crianças no mundo... Qualquer prova de amor a um animal é facilmente classificada como carência, desequilíbrio, frustração e várias outras denominações que são, na minha opinião, tolas. Fico com medo de ser piegas ao falar dos meus cachorros (se minha vizinha ler esta coluna pode ficar furiosa...), mas eles mereciam essa retribuição. São criaturas incríveis, mas que requerem muita atenção. Portanto, ter um cachorro deve ser uma decisão pensada.
Se você ainda não tem um a acha que chegou a hora de ganhar um companheiro que estará ao seu lado na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, e se você se comprometer a não abandoná-lo nunca, quem sabe você não o encontra na Suipa, que mantém um trabalho lindo? E se você já tem o seu amigão e não pode ter outro (sempre cabe mais um...), a Suipa e seus abrigados aceitarão uma ajuda e lhe serão gratos, como sempre.
Meus cães foram os melhores investimentos da minha vida.
Um comentário:
Texto lindo!
Amei
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