quarta-feira, 3 de setembro de 2008

quarta-feira, 25 de junho de 2008

9mm: São Paulo

Viviane Fernandes
Estreou no dia 10 de junho de 2008 uma nova série da Fox - 9mm: São Paulo. É óbvio que uma série que fala sobre a polícia brasileira iria causar um certo frisson, então, conferi. A série é baseada em cinco personagens, todos policiais de uma delegacia de homicídios de São Paulo.
Horácio (Norival Rizzo) é investigador há 30 anos. Entrou para a força
policial em pleno regime militar e preserva hábitos autoritários. É silencioso, tem um humor ácido e por vezes age de forma bastante violenta. Sempre foi um solitário e estava acostumado a atuar sem a ajuda de ninguém, mas agora ele atravessa um momento de crise, uma vez que seus métodos de investigação da “velha guarda” não são aceitos por seus companheiros mais jovens, profissionais que tentam modernizar a instituição.
Eduardo (Luciano Quirino) é delegado de grande prestígio, considerado um jovem talento da nova polícia. Ele é um dos poucos delegados que possuem nível universitário e um mestrado em direitos humanos. Porém, apesar dos seus méritos pessoais e do cargo, muitas das conquistas de sua carreira estão relacionadas aos contatos de seu sogro, um renomado deputado. Este favoritismo entra em conflito permanente com a razão pela qual ele entrou para a instituição, que é transformar a polícia brasileira em uma instituição justa e transparente.
Luisa (Clarisse Kiste) é uma investigadora de 34 anos. Foi mãe solteira aos 15 anos, o que lhe trouxe um enorme senso de responsabilidade, mas também exigiu sacrifícios. Luisa é moralista, obsessiva, perfeccionista e se dedica ao trabalho como poucos. Porém, o fato de lidar diariamente com as injustiças do mundo a tornou uma mulher dura e exigente. Esta característica, que lhe permite atuar com eficiência em termos profissionais, constantemente gera conflitos com sua filha Dani, uma garota que ela não compreende e não sabe como lidar.
Tavares (Marcos Cesana) tem 38 anos e acaba de entrar para a polícia. Embora seja um homem da lei, conhece os praticantes de jogos ilegais, traficantes de drogas, ladrões de carros e tem um bom relacionamento com vários criminosos de seu bairro. Estes contatos lhe são indispensáveis, e não hesita em usá-los como informantes ou pontes de acesso para os criminosos, uma tática que em muitas ocasiões irá ajudá-lo a encontrar e pista certa para resolver alguns casos.
3P (Nicolas Trevijano) tem 30 anos e um bom caráter. Luta jiu-jitsu, é fanático por esportes extremos e entrou para a polícia atraído pela adrenalina da profissão. Por vezes impulsivo e descontrolado, 3P tem dificuldades para lidar com a violência que constantemente coloca sua vida em perigo.
Fica bem claro que a própria composição dos personagens é uma metáfora das personalidades que compõem a polícia brasileira. Mas fica bem óbvio, também, que as personagens, cada uma de sua maneira, busca a realização e a afirmação da Justiça, em seu sentido maior.
Até ontem (24/6/2008) eu não vinha entendendo muito bem a mensagem que a série buscava passar. Mas continuei assistindo. Na verdade, ainda não sei bem a mensagem, mas o episódio de ontem, intitulado “Eu Sou Mais Forte”, me deixou realmente chocada.
Nele, jovens de elite lutadores espancam dois jovens de periferia, um deles até a morte. O dinheiro e a influência de sus famílias intimidam a justiça e afastam testemunhas, perpetuando a impunidade. Sobre este pano de fundo, reflexo dessa espécie de apartheid brasileiro, estão tecidos os conflitos dramáticos.
Dani e 3P nos apresentam as ambigüidades de ser jovem neste mundo minado. Dani se envolve na balada com os espancadores: jovens, ricos, sarados, com um charme cínico e poderoso. Apesar de ser policial, 3P também se deixa seduzir por esse jeito de ser agressivo e poderoso – em última instância, de elite.
O subtema das mães protegendo seus filhos perpassa o episódio. O foco principal está em Luísa que, com medo de represálias, não quer que Dani, testemunha ocular do crime, deponha. A mãe de um jovem pobre, vítima e testemunha, também evitará que seu filho se apresente à polícia. E, no pólo oposto, a mãe do jovem de elite defenderá seu filho coagindo testemunhas e mobilizando suas influências.
Essa presença das mães dramatiza o conflito entre valores públicos e privados, que se expressa no episódio também em termos mais gerais – principalmente no confronto entre Eduardo e Horácio –, retomando e concentrando uma pergunta que está também em outros momentos da série: a justiça é mesmo para todos?
O episódio teve, na minha opinião, dois momentos emblemáticos.
Em um deles, Eduardo janta com a noiva e seu sogro, o Deputado, em um restaurante caro. Durante a conversa, o Deputado elogia uma declaração que Eduardo fez à imprensa, dizendo que este conseguiu manter-se afastado da opinião pública. Eduardo então responde que não tem “compromisso com a opinião pública, mas com a coisa pública, a res publica”, ao que é devidamente menosprezado pelo Deputado, que diz que esse latim de Eduardo para ele, é grego.
Na cena final do episódio, o policial 3P, inconformado com a impunidade de Felipe, que espancou um adolescente da periferia até a morte e cuja família coagiu testemunhas, vai até a academia para confrontá-lo fisicamente. Eles lutam, Felipe deixa 3P na lona e sai declarando que é mais forte.
A metáfora é clara: dinheiro e poder derrubam a Justiça; mais uma vez o que se vê é a supremacia da impunidade, em uma sociedade em que a lei e a ordem apenas funcionam para os negros e pobres.

sábado, 31 de maio de 2008

Direitos humanos e o antropocentrismo neo-romano


Viviane Fernandes

Direito humano é uma expressão que, em sua própria origem remonta ao antropocentrismo, ao declarar o homem centro de toda uma gama de direitos inerentes àquilo que se convenciona como dignidade, alijando destes direitos todas as demais espécies vivas.
Declarar direitos humanos significa o mesmo que firmar que deus fez o homem à sua imagem e semelhança, concedendo-lhe o direito objetivo de criar critérios que determinam a vida e a morte das espécies. Como conseqüência, verifica-se no mundo moderno que as políticas de desmatamento e destruição de áreas ambientais demonstram total descaso para com todas as formas de vida que habitam os diversos ecossistemas – inclusive, as humanas.
Cristaliza-se ainda o fato de que os direitos humanos, na prática, remetem aos princípios do direito romano, em que são sujeitos de direito apenas os caucasianos, homens e produtores de renda, uma vez que no mundo moderno, globalizado, o que se vê na prática são grupos étnicos, econômicos e cronológicos desprestigiados, completamente excluídos destes direitos.
Não que estes grupos estejam afastados das realidades dos grandes centros urbanos e dos olhares de toda a sociedade. Não apenas os índios são despojados de toda sua dignidade enquanto nação, mas ainda hoje negros e latinos são tratados com enorme preconceito. E o que se falar do desmerecimento que sofrem crianças, mulheres, idosos, deficientes físicos? A própria existência de uma delegacia para a infância e a juventude, uma delegacia do idoso e uma delegacia da mulher, bem como as respectivas leis específicas que visam tutelar os direitos destes grupos já prova o quanto são prejudicados pelo (in)consciente da coletividade.
Assim, o homem moderno reproduz o conceito ancestral da sociedade romana, ao pesar maior valor em favor dos homens, livres e produtores de renda. E, nesse contexto, os direitos humanos não ferem apenas à diversidade biológica do planeta, ofendendo também à multiplicidade humana, ao desconsiderar, na prática, as diferenças culturais, étnicas, cronológicas, econômicas, sexuais; enfim, toda a imensa diversidade viva que compõe o Planeta.
A Vida talvez não seja algo material que devamos tentar definir, mas uma complexidade que a torna tão maravilhosamente exuberante que devemos, a cada dia, nos deliciar com o espetáculo de formas, cores, idéias que desfilam diante de nós. E, para fazer Justiça à Ela, certamente deve-se desprezar a expressão direitos humanos, e substituí-la urgentemente pela locução Direitos dos Seres Vivos. Esta, certamente, mais justa.

domingo, 13 de abril de 2008

Ocaso infantil

Viviane Fernandes
O Brasil outra vez se comove com o fim de uma criança. O caso Isabella Nardoni é o mais recente assunto preferido da imprensa. Ano passado foi a triste história de João Hélio Vieites, vítima da violência urbana no Rio de Janeiro. Um caso que chocou a todos.
O recente caso de Isabella choca pelo mistério do enredo que o envolve. Afinal, quem agrediu a menina Isabella? Quem jogou a criança pela janela, do 6º andar do edifício onde vivem seu pai e sua madastra?
Motivo, meio e oportunidade?
É possível que a polícia consiga desvendar esse caso. Se a imprensa deixar... Por hora, a única coisa certa é que a mídia já encontrou os seus culpados. Ainda que exista a possibilidade de o assassino da menina Isabella estar em plena liberdade e, se for esperto, já foi embora de São Paulo, afastando-se dos holofotes colocados pela imprensa sobre o caso.
Infelizmente, não é apenas o fim trágico de suas vidas inocentes que aproxima João Hélio e Isabella. Infelizmente, estas duas crianças mantém ainda um outro elo, uma conexão que deveria nos envergonhar como sociedade: tanto João Hélio quanto Isabella pertenciam a uma classe social mais abastada, uma classe-média-alta.
Obviamente, nenhuma criança deveria sofrer qualquer tipo de violência. Evidentemente, não se pode tolerar qualquer tipo de coação em qualquer momento da vida social. Mas ela existe, lamentavelmente.
Lembro-me, ainda com bastante revolta, de um caso que li, há anos, em uma edição de O Povo. Um homem jogou a filha, um bebê recém-nascido, pela janela. Quando a mãe chegou a casa, encontrou o 'marido' sentado na sala, assistindo TV. Foi ao quarto e, não encontrando a criança no berço, voltou à sala e interpelou-o sobre o paradeiro do bebê. O homem nada disse, apontou a janela. Horrorizada, a mulher viu o corpo da filha no valão, do outro lado da rua. Correu, encontrou a criança ainda viva, levou-a a um hospital. O bebê não resitiu. Politraumatismo e infecção generalizada. Ela deu queixa e, horas após, a polícia bateu à porta da casa. Encontrou o homem na mesma posição, sentado diante da TV. Foi levado à delegacia, onde confessou o crime. O motivo: "o choro dela estava me irritando". Impassível, como se fosse a coisa mais natural do mundo jogar uma criança pela janela.
Aconteceu em uma favela do Rio de Janeiro. Apenas o jornal O Povo noticiou. Apenas a imprensa marronista.
Descaso - com a infância, com certeza. Mas, onde estavam todos os repórteres que hoje fazem plantão na porta da casa do avô de Isabella? Onde estavam aqueles repórteres que passaram dias, semanas, assediando a família Vieites? Descaso da imprensa, que escolhe o que reportar. Como e quando noticiar. Morte de pobre é para os periódicos de baixa categoria.
Crianças negras, pobres, carentes. Apesar do descaso, essas também são humanas. Negros e pobres também são seres humanos! Parece absurdo ter que escrever, repetidas vezes esse corolário, mas a sociedade tende a fechar os olhos para o drama daqueles a quem escolheu desamparar.
Vivemos em uma sociedade de desigualdades, dessemelhanças que propiciam a manifestação de conflitos sociais que, eventualmente, chegam às nossas casas por meio daquele aparelho retangular que tanto cultuamos. Porém, será que realmente questionamos o que nos é enviado, ou apenas vivemos como gado - povo marcado, povo feliz?
"Pensei que era um mendigo".
"Pensei que era uma prostituta".
"O choro dela estava me irritando".
[...]

segunda-feira, 24 de março de 2008

Outras vidas...

Viviane Fernandes
Tava zapeando pela internet quando encontrei o currículo CNPQ de um antigo amigo. Obviamente, fiquei super feliz por 'encontrá-lo', mas não consigo afastar uma sensação de angústia. Aliás, há algum tempo venho sentindo esse tormento.
Vi hoje, pela internet, algumas caras antigas. Rostos que um dia fizeram parte da minha história, momentos que parecem tão distantes que me dão a sensação que que foram vividos em outra existência.
Nada pior na vida que a recorrente indagação do 'e se'.
'E se' eu tivesse concluido a faculdade de biologia?
Estaria meu nome no site de Curriculo Lattes do CNPQ?
Será que eu estaria trabalhando em algum museu ou universidade pelo Brasil?
Em quantas publicações constaria o meu nome?
Drª V. S. Fernandes, talvez...
Imagina:
FERNANDES, V. S.; et all. Contribuição para o estudo do comportamento de Crotalus durissus em cativeiro.
Blá, blá, blá...
Há momentos em que sinto minha vida tão vazia... À porta dos 40 anos estou ainda no meio do curso de minha primeira faculdade. Depois de tantas desistências, tantos erros, tento correr atrás do tempo perdido, na verdade, de um tempo desperdiçado por mim.
O que eu fiz, o que eu construí?
'E se' eu tivesse feito tudo diferente?
Infelizmente, não há resposta para o e se. Nossa vida é o que é; é exatamente aquilo que fizemos dela. Uma vez escolhido o caminho, não dá pra desistir e voltar atrás sem que se pague um preço por isso. E, certamente, o retorno não nos levará ao mesmo caminho que teríamos ido, se antes tivessemos feito essa mesma escolha.
A mim, só resta seguir. E torcer para que o futuro seja melhor do que o 'e se'...

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Como evitar um assalto

1. Não sair de casa;
2. não ficar em casa;
3. se sair, não sair sozinho, nem acompanhado;
4. se sair sozinho ou acompanhado, não sair a pé, nem de carro;
5. se sair a pé, não andar devagar, nem depressa, nem parar;
6. se sair de carro, não parar nas esquinas, nem no meio da rua, nem nas calçadas, nem nos sinais. Melhor deixar o carro na garagem e pegar uma condução;
7. se pegar uma condução, não pegar ônibus, nem taxi, nem trem, nem carona;
8. se decidir ficar em casa, não ficar sozinho, nem acompanhado;
9. se ficar sozinho ou acompanhado, não deixar a porta aberta, nem fechada;
10. como não adianta mudar de cidade ou de país, o único jeito é ficar no ar. Mas não num avião.
Leon Eliachar

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Oito assassinatos, um esclarecido (Época n° 507, de 4 de fevereiro de 2008)

Viviane Fernandes
A matéria “oito assassinatos, um esclarecido”, publicada na Revista Época n° 507, de 4 de fevereiro de 2008 (http://revistaepoca.globo.com/EditoraGlobo/Artigo/exibir.ssp?artigoId=81448&secaoId=6009&edicao=507), traz uma afirmação atribuída aos delegados do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da polícia de São Paulo. Segundo a matéria: “delegados do DHPP reconhecem dar prioridade a casos que tenham repercussão – além daqueles cujas vítimas são policiais. Para solucioná-los depressa, o departamento desloca um grande número de investigadores. Nos casos de menor visibilidade, os recursos são escassos. Com isso, a maioria dos assassinatos não é esclarecida”. A matéria continua com a seguinte declaração de Guaracy Mingardi, pesquisador do Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente (Ilanud): “cerca de 80% dos inquéritos de homicídios concluídos nos últimos anos na cidade de São Paulo acabaram arquivados”.
Tais revelações, no mínimo, preocupantes deveriam levar a sociedade a questionar as autoridades públicas no que diz respeito à distribuição dos recursos destinados à segurança pública. Afinal, homicídio consiste em crime de grande potencial ofensivo à pessoa; assim, sua solução deveria ser a maior prioridade das autoridades investigativas.
Matérias como estas, provavelmente, não por acaso, publicadas na edição que foi lançada no carnaval, quando a mente da maioria dos brasileiros está voltada para outros ideais, deveriam ter maior destaque, pelo impacto que causam na vida cotidiana da sociedade.
Os homicídios acompanhados pela repórter aconteceram na cidade de São Paulo, nos dias 8 e 9 de dezembro de 2007. O único caso solucionado foi o latrocínio ocorrido na mansão do empresário Ricardo Mansur, no Morumbi, ocasião em que seu copeiro foi assassinado. Os demais casos, nada além de levantamentos preliminares, em um deles, a vítima sequer foi identificada.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Direitos humanos

Viviane Fernandes
Uma das expressões mais proscritas da modernidade, os Direitos Humanos não têm sido encarados com a seriedade que merecem. Traduzido pela grande parte da humanidade como ‘direito de bandido’, como conseqüência da atuação de organizações cujos objetivos são, no mínimo, questionáveis, os Direitos Humanos nasceram com um propósito muito maior do que o que tem servido.
Em todo planeta há grupos humanos sobrevivendo em condições bastante inferiores ao mínimo aceitável. São pessoas que vivem abaixo do cinturão de miséria, completamente alijadas de qualquer qualidade de vida.
São famílias que catam lixo para se alimentar, pessoas que tentam sobreviver em meio a guerras, violência, fome, miséria. São sujeitos incapazes de exercer seu direito inalienável à dignidade, empurrados ao desespero por sua condição física, geográfica, política, étnica, etária, profissional, social. São tantas as formas de discriminação que é quase impossível qualificar os excluídos.
Uma coisa, porém, ainda é bem clara. Apesar de todo discurso democrata, o planeta continua a ser governado para as minorias elitizadas, o cream de la cream da sociedade.
Os sonhos de igualdade social estão cada vez mais distantes de se tornarem realidade. Cedo ou tarde, essa realidade vai consumir toda ilusória estabilidade que engabela as elites.
O verdadeiro equilíbrio social apenas será alcançado por meio da igualdade.

O solitário

Odeio seguir alguém, como também conduzir.
Obedecer? Não! E governar, nunca!
Quem não se mete medo não consegue metê-lo a ninguém,
Somente aquele que o inspira é capaz de comandar.
Já detesto comandar a mim mesmo!
Gosto, como os animais, das florestas e dos mares,
De me perder durante um tempo,
Permanecer a sonhar num recanto encantador,
E forçar-me a regressar de longe ao meu lar,
Atrair-me a mim próprio... de volta para mim.
-o-
NIETZSCHE, Friedrich. A Gaia Ciência. São Paulo: Martin Claret, 2004.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Carro 'verde'

Viviane Fernandes
As notícias mais recentes sobre a questão do aquecimento global estão provocando, em todos os segmentos da sociedade, uma exacerbada preocupação acerca do futuro do planeta e, conseqüentemente, sobre o destino da humanidade.
Previsões mais fatalistas proclamam que o efeito estufa irá provocar o degelo das calotas polares, o que terá, como efeito, o aumento do nível dos oceanos, provocando a inundação de cidades localizadas em áreas costeiras. Este aumento das temperaturas globais influenciará também toda biota, uma vez que todos os seres vivos do planeta terão que se adaptar a um diferente padrão climático.
De uma forma simplista, o aumento da temperatura têm sido associado à degradação da camada de ozônio. Nesse contexto, os veículos movidos a combustíveis derivados do petróleo vêm sendo apontados como grandes vilões, além dos refugos poluentes emitidos pelas indústrias e os gases emanados pelas fezes do gado bovino.
Quanto às fezes do gado, a não ser que o homem provoque a extinção de mais uma espécie, não há muito a ser feito. A carne bovina, bem como o leite e seus derivados, ainda figura como importante fonte alimentar.
Algumas indústrias já vêm assumindo sua responsabilidade social e estão tomando a iniciativa de diminuir a emissão de gases poluentes, por meio de mudanças em suas linhas de produção, adotando o conceito de carbono neutro (
http://www.carbononeutro.com.br/).
Quanto à indústria automobilística, a moda agora é o carro ‘verde’. Existe uma preocupação global das indústrias automobilísticas em produzir modelos viáveis de veículos automotores movidos a energia elétrica, mais limpa que os combustíveis derivados do petróleo ou da cana.
Apesar de parecer uma solução perfeita, esta solução requer um questionamento muito mais sério, principalmente no que tange à utilização deste tipo de tecnologia nos mais diversos países do mundo.
Um dos problemas mais relevantes diz respeito à própria produção da energia elétrica. No Brasil, a energia elétrica é produzida, em sua maior quantidade, pelo processo hidrelétrica. Por si só, este tipo de sistema provoca um imenso custo ambiental. A operação de uma hidrelétrica demanda a construção de uma enorme barragem e a inundação de extensas áreas, com a desapropriação de cidades inteiras. O custo ecológico envolve a necessidade de desenvolvimento de um projeto de resgate de fauna na região que, no entanto, não impede que inúmeros animais se afoguem com a subida das águas represadas. Isso, sem contar o custo para a flora da região. Morte é o preço do progresso.
Além disso, aqui já se fala, há alguns anos, em apagões elétricos. Os períodos de seca estão causando a diminuição dos reservatórios de água e a conseqüente redução da produção de energia elétrica. Com isso, o governo vem solicitando à população que consuma a energia elétrica de forma mais regrada. A implementação comercial de veículos movidos a eletricidade irá aumentar sensivelmente o consumo de energia elétrica.
Dessa forma, nenhuma solução é tão simples como parece. Em primeiro lugar, deve-se levar em conta de que não existem atalhos para o desenvolvimento. Cada passo deve ser dado de forma consciente e consistente. Não há soluções mágicas para a implementação de uma consciência ecológica, e toda e qualquer tecnologia, por melhor que possa parecer, deve ser pensada de forma racional, antes de ser empurrada como a solução de todos os problemas.

Quote XXXV



Já foi dito que o tempo cura todas as feridas. Não concordo; a ferida continua. Com o tempo, a mente se protege da insanidade cobrindo a ferida com cicatrizes, e a dor diminui, mas nunca desaparece.
Rose Fitzgerald Kennedy

Quote XXXIV



Antes de embarcar em uma jornada de vingança, cave duas covas.
Confúcio

Quote XXIII




As lágrimas mais amargas derramadas sobre os túmulos são pelas palavras que não foram ditas e pelas coisas que não foram feitas.
Harriet Beecher Stowe

Quote XXXII



Ideologias nos separam; sonhos e angústias nos unem.
Eugène Ionesco

Quote XXXI



Quando você tiver eliminado o impossível, o que quer que permaneça, mesmo que improvável, deve ser a verdade.
Sir Arthur Conan Doyle

Quote XXX



Imaginação é mais importante que conhecimento. O conhecimento é limitado, a imaginação circunda o mundo.
Albert Einstein